Por: WILSON MELLO FRANCO

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        No norte do Japão, na localidade de Shingo, outrora conhecida como Herai, corre uma estranha lenda: seus habitantes veementemente afirmam que Jesus esteve lá quando tinha 21 anos, e partiu dali aos 33 anos, indo para a Palestina. E depois de sua suposta crucificação e ressurreição teria voltado e morrido com 106 anos nesta localidade, onde há, inclusive, uma tumba, que acreditam ser a de Jesus.

 

Escrevi "suposta crucificação" porque de fato, segundo a lenda, não teria sido Jesus o crucificado, mas seu irmão Isukiri, que teria trocado de lugar com ele.

 

Toda esta história se encontra relatada  num conjunto de documentos escritos em japonês arcaico, descobertos em meados de 1930 na província de Ibaraki, na biblioteca de sua família pelo sacerdote xintoísta Kyomaro Takeuchi, o mais novo na longa lista desses sacerdotes. Esses documentos, mais tarde chamados de documentos Takeuchi, aparentam ser um testamento da vida e morte de Jesus no Japão. Atualmente, o local é turístico, sendo inclusive indicado em placas na rodovia de como se chega ao túmulo de Jesus.

 

Sentenciado à morte, após a troca por seu irmão caçula, Isukiri, Jesus e seus discípulos teriam fugido e se escondido, levando com eles uma mecha de cabelos da Virgem Maria e a orelha de seu irmão (no evangelho, durante a prisão de Jesus, Pedro corta com sua espada a orelha do servo do sumo-sacerdote em defesa de Jesus, e Jesus o curou, pronunciando a célebre frase: Quem com a espada fere, pela espada será ferido).

 

RECONTANDO...

 

Jesus teria vivido no Egito até os 21 anos. Então foi para Nazaré, onde esteve por um tempo, tentou pregar, mas seus ensinamentos foram rejeitados. Ele então foi o lugar que é hoje Aleppo, na Síria, e daí para o Monte Ararat, onde a arca de Noé atracou. Daí foi para Tabriz, na Pérsia, e daí para Teerã, de onde partiu para o Khorasan (região do Irã e do Afeganistão) e Mashid, partindo depois para Herat, cruzou o Afeganistão central, Bamyan, Cabul, Jalalabad, chegando ao rio Kunar, subiu-o, tomou o afluente direito chegando então a Chitral. Daí subiu a Broghol Pass, e daí, guiado por um homem da tribo dos quirguizes chegou em Wakhan e subiu até o pequeno Pamir, cruzou depois o grande Pamir, conhecido como o "Teto do Mundo",  desceu a Yarkhand e viajou para Kashgar (China), e daí a Turpan, depois Landchow, de onde rumou para Xian e daí para  Harbin (cidade da Manchúria chinesa), e daí para a localidade conhecida hoje como a cidade portuária russa de Vladivostok, cruzando então o mar do Japão de barco, chegando à província de Aomori. A viagem toda teria durado quatro anos.

 

Em Aomori, uma província no extremo norte da principal ilha do Japão, Jesus se estabeleceu na aldeia de Herai, renomeada Shingo, desde 1955.

 

Cópia do documento que conta a história de Jesus no Japão, exposta em Shingo.

 

Mudando seu nome para Daitenku Taro Jurai, tornou-se um agricultor, casou-se com uma mulher japonesa local chamada Miyuko, e juntos tiveram três filhos. Apesar de não realizar nenhum milagre durante seu tempo no Japão, é dito ter salvado os moradores de inanição viajando uma grande distância para trazer-lhes comida. Viveu lá 12 anos, segundo a lenda "adquirindo o conhecimento da divindade".

 

[Bom, a coisa aqui se emaranha... Se Jesus tinha 21 anos, viajou quatro, logo chegou ao Japão com 25, e se passou outros 12 lá, são 37, não poderia ter saído de lá aos 33, e se saiu de lá aos 37 é de se supor que chegou perto dos 40. No entanto, os evangelhos nos dizem claramente que Jesus tinha cerca de 30 anos quando começou a pregar. Sobre a infância de Jesus, há que supor que teria uns 10 ou 12 anos quando é mencionado pela última vez, não se sabendo nada do que ocorreu durante sua adolescência. Se Jesus esteve no Japão, só pode ser durante sua adolescência, e teria se casado após seu retorno. Edgar Cayce disse que em seus “anos perdidos” Jesus esteve no Egito, Pérsia e Índia, lugares em que recebeu instrução para realizar a sua missão]

 

O local do suposto túmulo.

 

Logo após a descoberta destes documentos Takeuchi viajou para Herai com o artista e pesquisador de história arcaica japonesa, Banzan Toya, onde em 26 de maio de 1935 descobriram duas sepulturas antigas escondidas em um bosque de bambu. As sepulturas (Juraizuka - túmulo de Jesus e Judaibo, tumba de seu irmão, contendo a orelha do irmão de Jesus e a mecha de cabelo de Maria) conhecida já de longa pelas gerações da família Sawaguchi, agricultores locais de alhos, que só sabiam que continham vestígios muito importantes, mas não tinha ideia de quem. Embora os Sawaguchis nunca dissessem ser descendentes de Jesus, curiosamente o ancião da aldeia, Sanjiro Sawaguchi, tinha olhos azuis e características invulgarmente ocidentais. Outra curiosidade é o nome da aldeia, Herai, que derivaria da palavra heburai, hebreu, em japonês.

 

Esta placa explica toda a história da suposta estadia de Jesus no Japão

 

 

Os documentos Takenouchi teriam se tornado controversos que foram apreendidos pelas autoridades japonesas e levados para um museu de Tóquio pouco antes da Segunda Guerra Mundial, onde foram escondidos do público. Os documentos se perderam na confusão da guerra, supostamente destruídos quando o museu que os abrigava foi bombardeado, mas não antes que uma cópia fosse feita, a qual ainda pode ser vista em exposição na aldeia de Shingo.

 

As sepulturas hoje são um ponto turístico local muito popular, marcadas por duas grandes cruzes de madeira, e os peregrinos muitas vezes deixam moedas diante da sepultura em agradecimento pelas orações respondidas. Numa placa colocada no chão entre os dois túmulos, escrita em hebraico, lê-se: "Esta placa é um presente da cidade de Jerusalém, como um símbolo de amizade entre o Estado de Israel, a cidade de Jerusalém e Shingo".

 

 

A PEREGRINAÇÃO E O SINAL DA BESTA

 

O principal dia de peregrinação é 6 de junho. Uma seita messiânica local que alimenta o culto ao suposto túmulo de Jesus acredita que o local se tornará uma área de preparo para o arrebatamento no dia do Juízo Final, como relata São Paulo. Esta seita curiosamente desenvolveu um ritual no qual todos os seus membros que participam dessas peregrinações são ungidos com uma marca preta na testa, em forma de cruz, aparentemente para lembrar a suposta presença de Jesus naquele local. Todavia, o Livro da Revelação (Apocalipse) no capítulo 18:13 fala dos que recebem uma marca e estão ligados à besta (Anticristo), cujo número de nome é 666...

 

Como o símbolo da família Sawaguchi é um pentagrama esculpido na madeira, alguns cristãos mais afoitos logo aventaram a hipótese de tratar-se de uma armadilha de Satanás. Os Sawaguchi, entretanto, acreditam tratar-se da estrela de Davi... Há que se notar que a estrela de cinco pontas configura o signo de Salomão, pai de Davi. Todavia, para os adeptos das teorias satânicas, é o símbolo de Satanás, não sendo por acaso que este símbolo se encontra presente nas bandeiras das principais nações da Terra, em forma de estrelas, como nas bandeiras dos Estados Unidos, da China, da antiga URSS, e muitos outros países, em especial como o planeta Vênus (conhecido como Lúcifer) em conjunto com o crescente nas bandeiras dos países muçulmanos.

 

Placa no local, em hebraico, entre os dois túmulos, na qual se lê: 
Esta placa é um presente que veio da cidade de Jerusalém, como um sinal de amizade entre o Estado de Israel, Jerusalém e Shingo.  Está datada, como se vê, 2004.

 

O autor do site anusha.com diz ter estado cavando no local na noite de 18 de abril de 1997, juntamente com seu colega, o bispo Donald B. Orsden, e depois de 30 minutos cavando o suposto túmulo de Jesus se depararam com ossos, cabelo e nove tabletes de argila com gravuras em aramaico; cavaram em seguida o outro túmulo (que ele se refere como de Maria, em vez de o irmão de Jesus), encontraram um caixão e outros nove tabletes, os quais teriam sido traduzidos posteriormente. Rearrumaram o local como antes após terem escavado, e levaram os tabletes, que conteriam profecias. O autor divulga o texto já traduzido de um tablete:

 

Três vezes 666 passados,

Mil vez sobre as nações,

Vem o medo e repentina morte,

Em toda parte há lamentos e tristezas,

E ninguém está confortado.

Dia a dia seus lamentos aumentam,

Somente eu estou abençoado pela paz.

 

Pois é pelos números que Deus provará sua presença

e  identificará os que O desafiam.

E o Justo desprezará as moedas que são

enganosamente dirigidas a eles.

 

Como o Autor deste artigo é numerólogo [veja meus livros], 666 equivale a 1998-99, e sua soma é 18. Então, passado ao terceiro milênio, 2018-19, o suposto início da III Guerra Mundial.  

 

A placa na rodovia indicando o "Túmulo de Cristo" (Christ Grave)

 

Bom, se alguém estiver sentido forte cheiro de fraude...

 não culpo seu nariz... apenas relato a história.

E se alguém quiser saber como o corpo do irmão de Jesus, Isukiri, que teria morrido em seu lugar na cruz, chegou ao Japão, não perguntem para mim!

 

 

 ® DIREITOS RESERVADOS - LEI 9610 dos Direitos Autorais, de 1998.