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A SÉTIMA ARTE: O MUNDO DOS IRMÃOS LUMIÈRE

 

Da fotografia ao cinematógrafo

Do cinematógrafo à primeira sessão de cinema - A fotografia ganha movimento. Espanto!

O Regador Regado

O avanço do cinema

Genialidade dos irmãos Lumière

 

DA FOTOGRAFIA AO CINEMATÓGRAFO

 

A saga da família Lumière começa com Antoine Lumière, nascido em 13 de março de 1840, proveniente de uma modesta família de fabricantes de carroças de Ormoy, aldeia no leste da França, e ficou órfão aos 14 anos.

 

Apaixonado pelo desenho, torna-se um aprendiz de um aquarelista parisiense e alguns anos mais tarde casa-se e vai morar em Besançon, onde em 1862 nasce Auguste e em 1864 Louis, e depois as filhas Jeanne e Mélinie-Juliette.

 

Louis Lumière

 

 

Deixando a pintura ao mesmo tempo em que se interessava pela fotografia, Antoine, um apaixonado pelo progresso, se instalou em Lyon depois da guerra franco-prussiana de 1870, como retratista, se tornando bastante conhecido na região por retratar o mundo político e artístico. Os filhos o ajudavam no atelier.

 

Em Lyon, Antoine, em associação com o fotógrafo Fatalo, buscou inovar, tendo instalado, em 1880, um gerador elétrico, num tempo em que Lyon ainda não possuía rede de distribuição de energia. A novidade não só serviu para atrair a curiosidade dos clientes como também deu maior incremento aos seus trabalhos, podendo ele realizar mais de 200 retratos por dia. 

Passou também a pesquisar um novo modelo de placa fotográfica. Desde 1851, e durante 30 anos, os fotógrafos utilizavam as placas chamadas “colódio úmido”, que tomavam muito tempo de preparação antes e depois da exposição, pois, para conservar toda a sua sensibilidade, era preparada alguns minutos

 

Auguste Lumière

 

antes da tomada da foto, e precisava ser revelada imediatamente após a exposição. Além disso, precisava ser colocada sobre um placa de vidro com os reagentes sensíveis, fixados pelo colódio. Por volta de 1880, o fotógrafo belga Désiré van Monckhoven apresentou um novo processo de revelação de fotos – a chapa seca - que dispensava a necessidade de se emulsionar cada chapa com colódio úmido antes do uso. Antoine descobriu que a placa seca com bromato de prata gelatinoso que o belga havia começado a comercializar era muito mais fácil de usar, e era um produto do futuro, pois abria a possibilidade da fotografia, de simples curiosidade que era, tornar-se um objeto de lazer. Como o preço da chapa seca era bastante alto, Antoine passou então a pesquisar um maneira mais fácil de acelerar e facilitar o processo, produzindo uma chapa similar em casa, mais barata e mais eficiente. Noite após noite, tentou mesclar diferentes substâncias, pesando-as na balança de cozinha da mulher, mas não obteve sucesso.

 

Foi o filho Louis, então com 15 anos, quem descobriu a solução. Estudava, juntamente com o irmão Auguste, em uma das melhores escolas técnicas de segundo grau de Lyon. Ambos demonstravam talento em física e química e, desde cedo, aprenderam fotografia com o pai. Durante férias na Bretanha, quando tinham 14 e 12 anos, fizeram de uma caverna seu laboratório foto-gráfico. Foi lá, também, que juraram permanecer unidos para o resto da vida.

 

Utilizando a balança de precisão, emprestada por um farmacêutico local, Louis suplantou van Monckhoven. Sua chapa, além de apresentar resultados melhores e mais rápidos, poderia ser produzida em escala industrial.

Antoine decidiu comercializar a descoberta do filho. Para a produção artesanal todos os produtos químicos são comprados na farmácia próxima. O sucesso ocorre de forma rápida, de modo que Antoine vendeu o estúdio de fotografia, pediu dinheiro emprestado e transformou em fábrica uma antiga loja de chapéus em Monplaisir, na periferia de Lyon.

Aos 17 anos, Louis foi nomeado gerente-adjunto. Em 1883, a fábrica empregava dez operários e a “etiqueta azul” era produzida exclusivamente pela família Lumière, conhecendo grande sucesso junto dos amadores, por causa da sua sensibilidade de 4 ASA, revolucionária para os padrões de então, pois era possível então utilizar velocidade de obturação da ordem de 1/60 por segundo. Toda a família botou mãos à obra nesta atividade: as filhas ajudavam na usina de produção, a senhora Lumière no retoque das fotografias e Auguste trabalhava no atelier fotográfico com seu pai. Dois anos depois, chegou a 300 funcionários, produzindo, em média, 50 mil chapas por dia. Vendida em todo o mundo sob o nome "etiqueta azul", a chapa milagrosa, produzida até 1950, logo transformou a família Lumière em uma das mais ricas da região.

Antoine Lumière, eternamente amador, logo decidiu deixar a direção da fábrica aos dois filhos. Os irmãos adoravam trabalhar juntos. A evolução e a criação tecnológicas são um requisito constante no empreendimento dos irmãos  Lumière. Assim, em 1885, surgiram as primeiras películas flexíveis, que os Lumière fabricaram rapidamente. Este novo produto tinha uma enorme vantagem: o fotógrafo podia enrolar a película em torno de um eixo dispondo assim de uma recarga de várias fotografias num espaço mínimo. Em pouco tempo, os Lumière introduziram rolos de filmes em cartucho, além de patentearem diversas outras invenções.

Em 1893, mantendo a promessa que haviam feito na Bretanha, casaram-se com duas irmãs, com diferença de seis meses: Marguerite e Rose Winckler. Nessa época, a fábrica de Monplaisir havia se expandido, ocupando 6 mil metros quadrados em oficinas e laboratórios. Em 1894 a indústria Lumière é criativa e florescente: os quase 300 operários produziam cerca de 15 milhões de placas sensíveis por ano.

Em 1891, a pesquisa fotográfica dos irmãos  Lumière se volta para a obtenção de imagens em cores, e uma cooperação é firmada com Gabriel Lippmann, inventor de um processo para realizar este tipo de imagem. Depois de dois anos de pesquisa, esta técnica, dita “interferencial”, mostra seus limites: as cores não são sempre reproduzíveis, e o tempo de exposição era muito longo. Os irmãos Lumière – prioritariamente Louis – buscaram então um novo processo fotoquímico. E, 1900, quando da Exposição Universal, os visitantes puderam admirar os primeiros resultados em cores prometedores dos irmãos Lumière. Os problemas de fabricação e de colocação no ponto são pouco a pouco resolvidos, e, alguns anos mais tarde, em 1904,  Louis Lumière publica numa ata entregue à Academia de ciências  o processo para se obter uma chapa autocroma.

A técnica, aparentemente muito simples, consiste em depositar sobre uma chapa de vidro uma camada de elementos microscópicos (que podem ser encontrados na fécula da batata), transparentes e coloridos em vermelho-alaranjado, em verde ou violeta, recobertos em seguida por uma solução sensível em preto e branco. A chapa era disposta, no momento da tomada da foto, de modo que a luz atravessasse os elementos coloridos antes de impressionar a camada sensível. Louis Lumière realizou uma imagem negativa com as tintas complementares, que ele quimicamente inverteu a fim de obter uma imagem positiva, uma diapositiva. De tais imagens, de aspecto pontilhado, às vezes próximo da pintura impressionista, correspondia bem à época em que eram tomadas.

A primeira produção industrial das chapas autocromas, isto é, as primeiras fotografias em cores, começou em 1907, e durará uns 30 anos. Até antes de 1914, a produção dessas chapas era ao redor de 6 mil por dia.

 

A imagem ganha movimento: Da lanterna mágica ao cinematógrafo

 

 

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