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A SÉTIMA ARTE: O MUNDO DOS IRMÃOS LUMIÈRE

 

Da

fotografia ao cinematógrafo

A imagem ganha movimento: da lanterna mágica ao cinema

Do cinematógrafo à primeira sessão de cinema

A fotografia ganha movimento. Espanto!

O Regador Regado

O avanço do cinema

Genialidade dos irmãos Lumière

 

 O PÚBLICO ESTUPEFATO!!

 A FOTOGRAFIA GANHA MOVIMENTO!

UMA LOCOMOTIVA EM MOVIMENTO NA TELA

ASSUSTA OS ESPECTADORES

 

     Jean-Marie Javron, em artigo para a Seleções de julho 1997, descreve o que ocorreu:

 

     “Em 29 de dezembro de 1895, Antoine Lumière encontrou-se com o mágico George Mélies, diretor do Teatro Robert Houdin, em Paris.

    - Você está livre esta noite? - perguntou Antoine.

    - Estou - respondeu Méliès -, mas por quê?

- Venha ao Grand Café às nove ­ insistiu Antoine. - Vai ver algo surpreendente.

 

Na hora marcada, o mágico chegou ao café, que exibia um grande cartaz: "O cinematógrafo dos irmãos Lumière - entrada: um franco". Mélies foi até o subsolo, onde se via um lençol pendurado entre duas portas de uma pequena sala.

 

Cadeiras haviam sido dispostas em fileiras. Quando as luzes se apagaram, Antoine, que apresentava a invenção dos filhos, projetou uma tomada imóvel da Place des Cordeliers, em Lyon. "Foi para ver isso que viemos até aqui?", exclamou Méliès. "Há dez anos venho projetando fotos!"

Mal acabara de falar quando a Place des Cordeliers se animou na tela. "Um cavalo e uma carruagem começaram a se mover", relatou Méliès mais tarde, "seguidos de outras carruagens e pedestres. Nós, na platéia, ficamos estupefatos."

 

Com apenas 33 ingressos vendidos, a primeira projeção para o público não teve grande sucesso. Mas a notícia se espalhou rapidamente e, em pouco tempo, até 2 mil ingressos eram vendidos por dia.

    Ao mesmo tempo que inventavam o cinema, os irmãos Lumière concomitantemente inventavam a publicidade cinematográfica. O sucesso foi tão estupendo que eclipsou todos as glórias dos predecessores. Havia noites que mais de 300 mil ansiosos expectadores formavam filas, e a polícia às vezes tinha que intervir para evitar tumultos. Foram planejadas 18 sessões diárias, mas insuficientes para atender à demanda. A sessão durava 25 minutos, com a exibição de 17 “filminhos” de um minuto cada.

 

Chegada do trem à estação Ciotat

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  Quando projetavam  A chegada do trem à estação Ciotat, espectadores, tomados pelo pânico, saltavam de suas poltronas com medo de serem esmagados pela locomotiva.”

 

Em 1900, os Lumière decidiram tomar o cinematógrafo a principal atração da Exposição Universal, em Paris. Construíram uma tela de 21 metros de largura por 18 metros de altura, e instalaram-na em amplo teatro. Durante meses, 150 filmes foram exibidos a mais de 8 milhões de pessoas.

 

Já em 1900, a invenção dos irmãos Lumière gerara dúzias de patentes para máquinas similares. "Nós semeamos, outros colherão os frutos. A vida é assim!", filosofou Louis certa vez.

 

 

O REGADOR REGADO

 

Logo se seguiram outros filmes dos irmãos Lumière, incluindo o famoso O regador regado, produzido no verão de 1895. Francisco Clerc, jardineiro do industrial Antoine Lumière, trabalhava na horta do terreno da fábrica, em Monplaisir, Lyon, quando avistou os três filhos do patrão, Auguste, Louis e o ainda criança Edouard, com 11 anos. Aproximaram-se como quem nada quer, portando a “caixa mágica” a qual depositaram sobre um tripé. “François - pediu Louis -, por favor, pegue a mangueira e regue as flores à sua frente. Não se importe conosco.”

 

Enquanto Clerc fazia o que lhe haviam pedido, um jovem aprendiz da fábrica, aproximando-se furtivamente por trás, pisou na mangueira, interrompendo o fluxo de água. Quando o jardineiro, atônito, olhou para o bocal do esguicho, o garoto levantou o pé, e a água borrifou o rosto de Clerc. Naquela manhã, com seu filme O regador regado, os irmãos Lumière tomaram-se os primeiros diretores de uma nova forma de arte - o cinema.

Seguiram-se outras numerosas filmagens, estando entre as mais conhecidas, no início de tudo, “A Chegada do Trem a Ciotat” e Le Déjeuner de bébé” (O almoço do bebê). Posteriormente operadores foram capacitados a fim de percorrer o mundo para colher imagens no império colonial francês. São documentários; o cinema de ficção será inaugurado com Méliès, Pathé ou Gaumont. 

Em poucos meses, os operadores Lumière filmaram danças do Tirol, lutadores javaneses, as pirâmides do Egito, o banho de uma criança africana, colheitas de arroz no Japão e grande quantidade de documentários. Em 1907, a companhia se vangloriava do catálogo de 2.023 filmes.

 

 

O AVANÇO DO CINEMA

 

Em alguns meses, Carpentier produziu mais de 200 câmeras. O cinematógrafo já havia, então, atravessado as fronteiras da França. Em fevereiro de 1896, jornais de Londres exibiam, manchetes louvando os irmãos Lumière. Em Nova York, em junho do mesmo ano, o operador de câmera Félix Mesguish foi carregado em triunfo pelas ruas de Manhattan, aos brados da multidão, que entoava: "Três vivas aos irmãos Lumière!".

 

O trabalho de operador de câmera era cansativo. Não apenas filmava à luz do dia, revelando o filme na escuridão de seu quarto de hotel, para projetá-lo  na mesma noite, como também pegava o trem noturno para recomeçar em outro local. Receosos do pânico, todos os operadores divulgavam um aviso antes da sessão: "Os cavalos e locomotivas não podem sair da tela!"

Mas foi na Rússia que ocorreram as cenas mais inacreditáveis. Em Nijni-Novgorod, a plateia ficou tão aterrorizada ao ver os vultos gigantescos da "Virgem Negra" e do czar Nicolau II, cuja coroação Charles Moisson acabara de filmar, que se acreditou que o operador da máquina era Satanás, em carne e osso. "Bruxaria!", gritou um dos espectadores. Moisson quase foi linchado e, dois dias depois, membros da plateia retornaram e atearam fogo ao teatro - para exorcizar o demônio!

 

 

A SEGUIR: A genialidade dos irmãos Lumière

 

Assista a um seleção dos primeiros filmes dos irmãos Lumière

 

  

A SEGUIR: A genialidade dos irmãos Lumière

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